quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Alonso, pouco prudente, não esconde seu otimismo.*

* Por Lívio Oricchio


O desafio de Sebastian Vettel e sua equipe, a Red Bull, conquistarem este ano o quarto título seguido ficou maior, ao menos segundo Fernando Alonso, da Ferrari. O espanhol afirmou ontem no Circuito da Catalunha, em Barcelona, depois do primeiro dia de treinos da segunda série da pré-temporada: “Se no ano passado começamos nossa preparação com um carro que era dois segundos mais lento e ainda assim conseguimos 13 pódios e disputamos o campeonato até a última corrida, agora, com uma base melhor, temos chances bem maiores de lutar pelo Mundial”.

O piloto de Oviedo, eleito o melhor de 2012 pelos profissionais da Fórmula 1, mesmo sem ser campeão, apesar do evidente otimismo de suas declarações não demonstrou, ontem, nenhum entusiasmo com o modelo F138, experimentado por ele pela primeira vez. “Tem o ritmo do nosso carro no GP do Brasil (vigésimo e último do calendário)”, disse. Mas destacou a importância de ser previsível. “Sabemos quantos décimos deveremos evoluir até Melbourne (abertura do campeonato, dia 17 de março), enquanto em 2012 uma hora nosso escapamento soprava para cima, outra para baixo, estávamos perdidos”, comentou.

Na sua visão, como o panorama hoje na Fórmula 1 é bastante parecido com o das últimas provas de 2012, começará vencendo quem mais acertar nas mudanças a serem introduzidos nos modelos 2013 até o GP da Austrália. “Será preciso entender, também, como funcionam os novos pneus Pirelli.” Esse é o foco da Ferrari no treino de hoje, apesar da baixa temperatura do asfalto. Ao final do dia, Alonso havia completado 110 voltas no traçado catalão de 4.655 metros, sendo que na melhor passagem registrou o terceiro tempo, 1min22s952.

O mais rápido foi Nico Rosberg, da Mercedes, com 1min22s616 (54 voltas), seguido por Kimi Raikkonen, da Lotus, 1min22s623 (44). O tricampeão do mundo, Vettel, obteve o quarto tempo, 1min22s965 (66). Os quatro utilizavam os pneus médios da Pirelli. Os pilotos têm à disposição os quatro tipos existentes, supermacio, macio, médio e duro, com diferenças de pelo menos meio segundo entre eles.

Diferentemente dos testes de Jerez de la Frontera, semana passada, a Red Bull passou a esconder de forma acintosa o seu modelo RB9. Os mecânicos dispunham em frente aos boxes barreiras móveis para que quando Vettel parasse fosse imediatamente envolvido e ninguém o visse. O projetista Adrian Newey desenvolveu alguma solução criativa para a parte traseira do carro, como manda o seu histórico, e não deseja que ninguém veja.

Preocupa o alemão de apenas 25 anos as baixas temperaturas. O asfalto ontem não passou de 20 graus, enquanto ao longo do campeonato não deve ser inferior a 30 graus em nenhum circuito. “O frio está fazendo com que os pneus se degradem rapidamente. Podemos sair daqui sem referência mais precisa de como se comportam”, comentou Vettel. “Não dá para saber quem está melhor, até pelo frio. Mas estamos bem satisfeitos com o nosso carro, mais equilibrado e confiável em relação a essa mesma época, em 2012.”

Rosberg não foi tão explícito quando Alonso em relação ao que a Mercedes poderá fazer no campeonato. Mas da mesma forma não escondeu o otimismo: “Tudo é melhor nesse carro. É mais equilibrado, freia e traciona melhor, gera mais pressão aerodinâmica”, afirmou, sorridente. Falta-lhe, contudo, confiabilidade. Ontem Rosberg andou pouco com o W04, apenas 54 voltas, metade do percorrido por Alonso. Hoje é a vez de Lewis Hamilton acelerar o novo Mercedes.

A preocupação maior da McLaren, ontem, foi o entendimento do modelo MP4/28-Mercedes em condição de corrida. O mexicano Sergio Perez realizava séries de 10 a 12 voltas e parava para modificar o acerto e verificar o resultado na série seguinte. Perez fez 1min24s124 (77), sétimo tempo, com pneus médios. A Williams apresentou o modelo FW35-Renault de manhã e Pastor Maldonado completou 86 voltas. Com os pneus macios, marcou 1min23s733, quinto.

Charlie Whiting, responsável da FIA por conferir a legalidade dos carros, informou a Mike Coughlan, diretor técnico da Williams, que a sua solução para o escapamento desrespeita as regras. Um direcionador orientava os fluxos de gases para a parte baixa posterior do carro, a fim de gerar maior pressão aerodinâmica. Felipe Massa assume a Ferrari F138 sexta-feira, enquanto Luiz Razia anda com a Marussia hoje.

Os demais tempos: Daniel Ricciardo (Toro Rosso), 1min23s884 (73), com pneus duros, sexto melhor do dia, Paul di Resta (Force India), 1min24s144 (82), pneus médios, oitavo, Esteban Gutierrez (Sauber), 1min25s124 (68), pneus duros, nono, Max Chilton (Marussia), 1min26s747 (65), pneus macios, 12.º, e Charles Pic (Caterham), 1min27s534 (49), pneus duros.

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